Frasle

Engenharia em alta rotação: inovação e velocidade no novo cenário automotivo

1754398083547

Por Luciano Tedesco MatozoDiretor de Engenharia e Vendas OEM Frasle Mobility

A inovação sempre esteve no centro da engenharia automotiva. Mas, nos últimos anos, a velocidade com que ela precisa acontecer mudou completamente. O tempo de desenvolvimento de um novo veículo se tornou um dos principais diferenciais competitivos e, em muitos casos, o fator decisivo para o sucesso ou fracasso de um projeto.

Na prática, o que tenho visto é uma aproximação dos ciclos de inovação da indústria automotiva com os de produtos como smartphones e computadores. Isso se deve, em grande parte, à relevância crescente dos sistemas digitais embarcados. Hoje, o consumidor quer mais do que potência ou design: ele espera conectividade, atualização remota, experiência fluida e integração com sua vida digital.

Some a isso o avanço da eletrificação, que ainda está em consolidação e exige decisões estratégicas em meio a padrões que nem sempre estão bem definidos. O resultado é um cenário de altíssima exigência técnica, com necessidade de respostas rápidas e soluções que ainda estão sendo desenhadas.

Isso explica, por exemplo, a decisão da Frasle Mobility de se antecipar às exigências da norma Euro 7, que trará novos limites de emissões para veículos vendidos na Europa. A empresa já está investindo em soluções sustentáveis e tecnologias proprietárias voltadas à redução de partículas emitidas por sistemas de freio.

Esse tipo de movimentação exige capacidade técnica e uma revisão profunda das estruturas tradicionais, tanto de engenharia quanto de gestão. Não estou falando aqui apenas de investimentos ou de processos mais ágeis. O maior desafio, e talvez o mais transformador, tem sido cultural.

Adotar novas tecnologias como digital twins ou inteligência artificial no desenvolvimento de produtos é só parte da equação. O mais difícil é confiar nelas a ponto de mudar fluxos inteiros, eliminando etapas físicas de prototipagem ou revendo premissas que, por muito tempo, foram tratadas como inquestionáveis.

Em muitas aplicações atuais, o uso de digital twins tem permitido substituir uma parte significativa dos testes físicos por simulações precisas em ambiente virtual. Essa abordagem acelera os ciclos de desenvolvimento, permitindo também maior controle, antecipação de falhas e ajustes antes da prototipagem.

A Inteligência Artificial também tem ampliado nossa capacidade de análise e tomada de decisão. Seja na priorização de requisitos, na leitura de dados de performance ou na personalização da experiência do usuário, a IA permite decisões mais rápidas e assertivas. Mas, para isso, é preciso não apenas acesso à tecnologia, é preciso confiança. E essa confiança só se constrói com maturidade, experimentação e respaldo da liderança para explorar caminhos menos óbvios.

Outro ponto fundamental é a forma como entendemos o cliente. Muitos requisitos que antes guiavam os projetos já não fazem mais sentido. O consumidor de hoje é mais informado, mais conectado e tem um olhar muito claro sobre o que entrega valor. Se não estivermos atentos a isso, corremos o risco de construir soluções tecnicamente impecáveis, mas irrelevantes na prática.

Esse novo contexto exige também um modelo de trabalho mais colaborativo. Em um ambiente onde processos e metodologias ainda estão sendo moldados, é essencial que as equipes se sintam seguras para testar, errar rápido e ajustar o rumo. Isso exige maturidade, confiança e foco constante no que realmente importa para o sucesso do projeto.

Tenho aprendido, na prática, que inovar é mais do que implementar novas tecnologias. É criar uma cultura em que decisões difíceis possam ser tomadas com base em dados, onde o cliente final é o principal norte e onde as pessoas se sentem ouvidas, valorizadas e encorajadas a contribuir com o novo.

No fim das contas, é sobre ter clareza do que estamos construindo e, principalmente, para quem estamos construindo. Porque no cenário atual, não basta apenas chegar lá. É preciso ser o primeiro a entregar valor real.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *