Por Marcelo Tonon, diretor executivo de Direção e Suspensão e Supply Chain Global da Frasle Mobility
Ter a peça certa, na hora certa, no local certo, com a competitividade certa. Esse é o objetivo. E, sem um supply chain robusto, ele não se cumpre.
Na Frasle Mobility, empresa da qual sou Diretor Global de Supply Chain, nosso mercado nasce na oficina. E, à medida que percorremos a cadeia, passando por indústria, distribuição e varejo, os recursos financeiros, tecnológicos e até a maturidade de gestão vão se modificando.
Falar de previsão de demanda na indústria é relativamente simples. Já no varejo e na oficina, o conceito é mais complexo. O desafio é levar esse entendimento para a ponta e integrar todos no mesmo ciclo.
A resposta começa por pensar como ecossistema.
Um estudo da Deloitte, de 2024, mostra que 86,2% das empresas industriais já adotam iniciativas para reduzir riscos em suas cadeias de suprimentos, evidenciando que a resiliência deixou de ser um tema pontual e passou a ser prioridade estratégica de longo prazo.
No mundo todo, as cadeias de suprimentos enfrentam gargalos: infraestrutura defasada, complexidade regulatória e instabilidade operacional. No Brasil, por exemplo, dados da ILOS indicam que a movimentação portuária atingiu 1,3 bilhão de toneladas em 2024, com alta de 20% na carga conteinerizada, pressionando terminais que já operam no limite. Notícias recentes da Reuters apontam que supernavios com capacidade para até 25 mil contêineres não conseguem atracar em muitos portos por falta de calado adequado. Em Santos, a ampliação para 17 metros está prevista apenas para 2031.
Essa pressão logística é agravada por ciclos de saturação no transporte marítimo. Ano após ano, o setor opera entre extremos: ora falta contêiner, ora não há espaço nos navios, ora surgem dificuldades para devolver unidades vazias. Em momentos de baixa demanda, entram em cena as conhecidas omissões de portos. A complexidade não para por aí: prazos de entrega incertos e variações na qualidade do serviço, independentemente do modal, forçam empresas a buscar alternativas para manter a operação fluindo.
Diante desse cenário, muitas empresas recorrem a estoques elevados para garantir níveis de serviço. Mas essa não é uma estratégia sustentável. Inventários inflados significam capital imobilizado, riscos de obsolescência e perda de agilidade. Não podemos simplesmente despejar toda essa complexidade nas prateleiras.
O caminho está na integração de dados e na previsibilidade. Um supply chain eficiente vai além da logística, conecta todos os elos, antecipa problemas e transforma informação em vantagem competitiva.
No aftermarket, não basta reagir. É preciso antecipar.



