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ESG e Inovação: o motor da produtividade industrial

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Por Guilherme Adami – Diretor Executivo de Frenagem, P&D e Euro Ásia da Frasle Mobility

No cenário industrial atual, a sustentabilidade deixou de ser uma opção: é um imperativo estratégico. O ESG é mais que uma agenda de responsabilidade, ainda que esta continue como uma parcela muito importante da pauta. O ESG é hoje um motor real de produtividade, especialmente quando se conecta à inovação tecnológica. Não falamos apenas de ética ou cuidado ambiental, mas de uma nova lógica de negócios em que eficiência, resiliência e reputação caminham juntas.

Investir em ESG aliado à inovação é investir na competitividade do futuro. É sair do campo do compliance para transformar processos, otimizar recursos e fortalecer cultura. Quero compartilhar como essa visão já está presente no nosso dia a dia e nos impulsiona para um amanhã mais eficiente, justo e responsável.

Primeiro, o “E”: Eficiência que vem do verde

No pilar Ambiental, nossa busca é por produzir mais, com menos impacto. Isso significa reduzir desperdícios, usar recursos de forma inteligente e transformar custos em ganhos de confiabilidade.

Um exemplo marcante vem da própria Frasle Mobility, com o projeto Caldeira Verde. A adoção de uma caldeira movida a biomassa reduziu em 60% as emissões de gases de efeito estufa em Caxias do Sul, onde fica a planta da Fras-le, o equivalente a 10 mil toneladas de CO₂ por ano. Isso contribuiu com uma queda de 20% das emissões totais de gases de efeito estufa da Randoncorp, cuja meta é a redução de 40% até 2030. Com investimento de R$ 17 milhões, eliminamos 100% do uso de gás natural nesse processo. No mesmo caminho, a Fremax desligou seus geradores a diesel em 2025, evitando 2.414,11 tonelada de CO₂ anuais.

Também avançamos com o Recycle Max, que coletou 2.726 toneladas de discos e tambores de freio usados em oficinas, reincorporando 10% da matéria-prima a partir de produtos reciclados. Já a Composs desenvolveu componentes que reduzem o peso dos veículos em até 60% comparado ao aço, aumentando eficiência energética e reduzindo emissões.

Tenho visto empresas alcançarem resultados expressivos ao adotar energia renovável, sistemas inteligentes de gestão de água e energia, manufatura circular e sensores IoT para monitoramento em tempo real. Tudo isso não só protege o meio ambiente, mas também melhora a confiabilidade dos processos e reduz custos.

A vez do “S”: Pessoas no centro da produtividade

No aspecto social, investir no bem-estar e na capacitação dos colaboradores não é apenas uma responsabilidade ética, é uma estratégia inteligente. Ambientes mais seguros, inclusivos e colaborativos resultam em equipes mais engajadas, com menor rotatividade e maior capacidade de inovação.

Nenhuma transformação acontece sem gente. Colaboradores engajados, seguros e bem treinados são o verdadeiro diferencial competitivo. Quando investimos em ergonomia, diversidade, inclusão e desenvolvimento profissional contínuo, não apenas cuidamos das pessoas: também criamos equipes mais inovadoras e resilientes.

Somente para dar um exemplo, em 2024, destinamos mais de R$ 10 milhões em saúde e segurança, em linha com nossa meta de zerar acidentes graves. Na agenda de diversidade, ampliamos a presença feminina em cargos de liderança de 13% para 15% em apenas um ano, com o programa Jornada Delas. O Sem Fronteiras integrou 31 profissionais com deficiência às nossas operações, promovendo inclusão real.

Esses esforços têm reconhecimento: unidades como Joinville (Brasil), Alabama (EUA) e Bogotá (Colômbia), entre os anos de 2024 e 2025, conquistaram o selo Great Place to Work, com altos índices de favorabilidade, em cerca de 80%.

Para encerrar, o “G”: Transparência e gestão eficiente

E não podemos esquecer da governança. Digitalização, rastreabilidade e transparência fortalecem a tomada de decisões, aumentam a eficiência e criam confiança entre todos os stakeholders. É a governança bem estruturada que sustenta a evolução dos outros pilares.

Uma governança operacional bem estruturada é essencial para dar clareza às regras, responsabilidades, controles e fluxos de decisão, impactando diretamente a eficiência e a confiabilidade dos processos.

Nesse contexto, a digitalização e a automação desempenham um papel central, aumentando a produtividade, otimizando a gestão e facilitando a tomada de decisões em tempo real. Da mesma forma, a rastreabilidade de insumos e produtos garante maior conformidade regulatória e reduz o risco de retrabalhos.

Outro pilar importante é a criação de comitês temáticos, que promovem a troca de melhores práticas entre diferentes áreas da organização e aceleram a padronização de processos mais eficientes. Por fim, a implementação de códigos de ética e auditorias regulares fortalece a confiança entre stakeholders e assegura a fluidez dos negócios, consolidando a governança como motor de competitividade sustentável.

O futuro competitivo da indústria

Acredito fortemente que investir em ESG aliado à inovação não é custo, é investimento no futuro. As empresas que entenderem essa lógica estarão mais preparadas para enfrentar crises, conquistar mercados e gerar valor para a sociedade.

O ganho não está apenas nos indicadores ambientais ou sociais, mas na performance industrial como um todo: menos paradas, mais eficiência, mais inovação e uma equipe mais engajada.

No fim das contas, a produtividade industrial do futuro será medida não apenas pelo quanto produzimos, mas pela capacidade de inovar com responsabilidade. E esse é um movimento que já está em curso, com muito espaço para quem quiser liderar essa transformação.

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