Por Sergio Montagnoli | Diretor Executivo de Vendas IAM Brasil e Marketing Global
Focar somente no produto deixou de ser um diferencial competitivo. Um produto bom com experiências de compra, uso e pós-vendas ruins levam ao insucesso. Embora isso pareça um senso comum, muitas empresas vêm o investimento na experiência do cliente não como uma prioridade. O fato é que em um cenário onde há uma forte tendência de comoditização dos bens, a informação na palma da mão e a voz do consumidor ecoando em grupos sociais digitais, cada cliente é um influenciador em potencial, reputação da marca e o valor percebido de seus produtos e serviços já não dependem somente de atributos, preço ou qualidade: são diretamente proporcionados pelas experiências oferecidas…e de forma consistente.
O novo consumidor e a promessa de marca
O consumidor moderno é mais exigente e tem acesso a uma vasta gama de opções. As fórmulas de sucesso do passado, tais como comunicação em massa com um conteúdo “matador”, já não garantem os mesmos resultados, pois o “boca a boca” digital e a facilidade de acesso à informação empoderaram o cliente a ser mais crítico. Isso significa que as empresas precisam, mais do que nunca, cumprir o que prometem para a criação de valor sustentável e o sucesso a longo prazo.
Um exemplo claro dessa mudança é a Netflix. Não bastou apenas investir massivamente em conteúdo original de alta qualidade ou seja: no produto. Seu diferencial é um sistema de recomendação personalizado, que oferece sugestões baseadas no histórico de visualização do usuário. Essa estratégia, focada na experiência do cliente, manteve a empresa na liderança do mercado. A promessa da Netflix não é só “ter conteúdo”, mas “ter o conteúdo certo para você, no momento certo”.
A experiência do cliente como estratégia competitiva
A responsabilidade pela experiência do cliente não se limita mais aos departamentos de marketing ou produção. Ela se tornou um imperativo estratégico que exige o envolvimento de todos os colaboradores. É assim que atuamos na Frasle Mobility. “Manter a vida em movimento de forma segura, inteligente e sustentável” é mais que uma frase. É como cada membro da equipe compreende o ecossistema para que atuem em sinergia, garantindo a entrega consistente dessa promessa.
Promessas genéricas e soluções massificadas para diferentes tipos de consumidores podem comprometer a entrega de valor e tornar o produto não competitivo. Entender e oferecer soluções diferenciadas para públicos distintos e investimentos que gerem maior satisfação nas interações com as marcas e produtos é, reconhecidamente, um diferencial estratégico. O problema está no como fazê-lo de forma sustentável e consistente.
Tanto que algumas empresas que atuam na reposição de autopeças ainda tratam o Aftermarket de forma genérica, geralmente focada no cliente transacional, ignorando que cada elo da cadeia por que passam os produtos tem necessidades e expectativas específicas. E a satisfação do cliente final (quem abre a carteira) e do mecânico (quem decide a marca e abre a caixinha) ficam de fora da estratégia e do campo da ação.
Cinco prioridades para transformar a experiência do cliente
Sem a pretensão de cobrir todas as possibilidades, aponto cinco ações são prioritárias para construir um modelo focado na excelência da experiência do cliente:
1. Personalização orientada por dados
Conhecer o cliente é o ponto de partida. Isso significa entender comportamentos, segmentar por atributos relevantes e oferecer soluções customizadas. Um bom exemplo é o setor bancário, onde fintechs transformaram dados em jornadas personalizadas, desde o onboarding até as ofertas de crédito. No varejo online isso não é diferente: o uso de algoritmos avançados de personalização cria uma experiência de compra única para cada usuário. Isso não só impulsiona as vendas, mas também fideliza o cliente, que se sente compreendido e valorizado.
2. Mais que proatividade: preditividade
Mais do que responder bem, é preciso antecipar necessidades. Isso exige escuta ativa, análise de dados e, acima de tudo, equipes capacitadas para interpretar o que o cliente ainda não disse. O sucesso de muitas empresas é baseado justamente nisso: prever o que o cliente vai querer antes mesmo de ele pedir.
3. Tecnologia a serviço das pessoas
Não há cliente que goste de navegar por menus infinitos ou ser redirecionado em uma chamada múltiplas vezes. Isso também não se resolve colocando pessoas para enfrentar cada etapa do processo, algo insustentável em um cenário de altos volumes de atendimento. O desafio está em equilibrar automação e atendimento humano.
Os negócios da nova economia têm muitos exemplos bem-sucedidos. Eles usam chatbots para atendimentos simples e rotineiros, mas migram questões mais complexas rapidamente a um atendente humano, mas que tem acesso a todo o histórico de interações e informações. Essa integração entre tecnologia e atendimento humano personalizado garante eficiência e satisfação.
4. Empatia, alinhamento com o ecossistema e exercício da proposta de valor
Mais do que ferramentas ou processos, a diferenciação está nas pessoas. O verdadeiro salto de maturidade acontece quando a empresa desenvolve três competências-chave, difíceis de copiar e fundamentais para criar conexões reais com os clientes: empatia, entendimento do ecossistema e exercício da proposta de valor.
Experiências memoráveis exigem times com senso de propósito, visão sistêmica e autonomia. Isso já não pode mais ficar restrito ao time comercial. Toda a empresa precisa entender seu papel na entrega da proposta de valor, da engenharia ao pós-vendas; da produção ao atendente do call-center.
5. Omnicanalidade integrada
Muitas empresas do Aftermarket têm adotado diferentes formas de abordar seus clientes, somando canais de contato que vão do vendedor (presencial ou online) a plataformas B2B e B2C. A tecnologia é fundamental para que o cliente se sinta reconhecido em qualquer forma de contato, com um registro fácil e acessível de seus últimos atendimentos, permitindo uma transição fluida e contextual entre os diferentes pontos de contato com a empresa (chat, balcão, telefone, e-mail, redes sociais).
Não se trata apenas de estar em vários canais, mas de ser coerente e fluido entre eles. O cliente precisa ser reconhecido, independentemente de onde iniciou o contato.
O caminho para o sucesso sustentável
Nem tudo que nos trouxe até aqui nos conduzirá ao sucesso nesse novo cenário. Um novo modelo de negócio está emergindo: mais centrado no cliente, mais interconectado, pessoas e empresas, e muito mais exigente em execução. Mas a recompensa é clara: marcas mais relevantes, clientes mais leais e negócios mais sustentáveis e duradouros.




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