Por Anderson Pontalti, CEO da Frasle Mobility
O Brasil está recebendo a COP30 em Belém. É mais do que um marco simbólico. É um chamado. Para nós, da indústria, é um convite direto para assumir um papel que não pode mais ser postergado: liderar a transição para uma economia de baixo carbono com inovação, competitividade e impacto real na vida das pessoas.
A mobilidade, um dos eixos centrais do desenvolvimento econômico, também é responsável por uma parcela significativa das emissões globais. Por isso, quando a indústria transforma suas tecnologias, processos e cadeias produtivas, ela transforma a sociedade. E é essa responsabilidade que empresas brasileiras vêm assumindo com protagonismo, mostrando que inovação e sustentabilidade não são caminhos paralelos, mas partes de uma mesma estratégia de futuro.
O papel da indústria na COP 30: de espectadora a protagonista da solução
A COP30 está dando visibilidade ao que já está acontecendo no setor industrial brasileiro: investimentos consistentes em tecnologias limpas, parcerias estratégicas, novos materiais, eficiência energética e soluções que repensam a mobilidade do início ao fim do ciclo de vida.
A Frasle Mobility, em conjunto com a Randoncorp, mostra que o setor produtivo pode e deve ser protagonista da descarbonização. Não por obrigação regulatória, mas porque a competitividade do futuro será medida pela capacidade de inovar com responsabilidade. Isso já está acontecendo. Em toda a cadeia da mobilidade, vemos movimentos estruturantes que consolidam essa visão.
Materiais avançados e eficiência: inovação que reduz impactos desde a origem
Na Frasle Mobility, nosso compromisso é claro: desenvolver soluções que diminuam emissões desde a extração da matéria-prima, passando pela produção, uso e pós-uso.
A Composs, marca criada pela companhia, é um exemplo de como a indústria pode repensar seus limites. Ao substituir componentes tradicionais por materiais compósitos estruturais até 60% mais leves, reduzimos o consumo energético em toda a cadeia logística. É menos peso, menos combustível, menos emissões. É engenharia a serviço da sustentabilidade. E tudo isso sem redução de desempenho.
Outro avanço importante vem da aplicação pioneira de ligantes inorgânicos em sapatas ferroviárias, reduzindo em 43% a pegada de carbono do produto e aumentando sua durabilidade em 20%. Essa é a combinação que acreditamos ser o futuro: inovação que melhora o ambiente, reduz custo e gera valor para os clientes.
A mobilidade sustentável se constrói com soluções como essas: tecnológicas, escaláveis e economicamente viáveis.
Descarbonização só acontece em rede
Nenhuma empresa descarboniza sozinha. A parceria da Randoncorp com a Gerdau para ampliar a reciclagem de sucata metálica, por exemplo, mostra que a indústria brasileira está avançando em colaboração para reduzir impactos sistêmicos. Mais 10 mil toneladas de sucata serão reinseridas anualmente no ciclo produtivo, reforçando a lógica de circularidade que deve orientar toda a cadeia.



